É fato que o turismo no estado vem se fortalecendo aos poucos e com toda essa movimentação da copa do mundo, o assunto fica mais em pauta do que nunca. Mas será que a cidade do Paulista discute o caso do turismo? Existe realmente turismo em Paulista?
O turismo é uma atividade que deve primar pela qualidade de vida das pessoas envolvidas, onde os setores públicos, privados, sociedade e comunidade acadêmica devem trabalhar de forma sinérgica para que ocorra a sustentabilidade da atividade e consequentemente, do local onde esta se desenvolve.
A Secretaria de Turismo da cidade tem à sua frente um secretário que gere 4 vertentes de trabalho que são turismo, cultura, desporto e juventude. Estas 4 pastas compõem uma única secretaria, que por sua vez é liderada pelo Secretário Sidney Valério que parece não conseguir desenvolver estas atividades, pois deve trabalhar tanto por elas que não consegue alavancar nenhuma de forma satisfatória.
Mas e o turismo? Por muitos anos, o Brasil vendeu sua imagem no exterior como se só existissem belas praias e lindas mulheres seminuas com biquínis minúsculos e esta imagem de turismo unicamente de sol e mar ainda perdura e é muito forte, até dentro do próprio país. Pernambuco tem uma diversidade cultural dificilmente encontrada em outro estado brasileiro e a cidade do Paulista se insere na cultura do estado de forma ativa.
Além dos tão conhecidos 14 km de litoral, que vale salientar só é aproveitado para a atividade turística o pontal de Maria Farinha e com muito esforço dos hoteleiros do local (e ainda assim só estes se beneficiam quando há visitantes), Paulista tem patrimônios históricos tombados a nível federal (o Forte de Pau Amarelo), estadual (igreja de N. S. do Ó, ruínas da igreja de N. S. dos Prazeres), dentre outras edificações seculares que compõem a história da cidade e do estado. Sem falar na música, grupos de danças genuinamente pernambucanas e outras particularidades existentes no município.
Mas já que o “forte” são as praias e a prefeitura se vangloria por esta beleza natural, por que o turismo de sol e mar em Paulista é tão fraco? Se existe um grande potencial, qual o porquê de a cidade não ter benefícios advindos do turismo?
Há pouquíssimo tempo, a praia do Janga estava tomada pelo lixo em boa parte de sua extensão e não existe um projeto de contenção do avanço do mar que não seja despejar pedregulhos na praia, acabando com o lazer da população (e dos turistas) causando impactos ambientais negativos e destruindo o cenário local. Canais de esgoto são deliberadamente há anos despejados no mar sem nenhum tratamento sequer e ainda obrigam a população (e turistas) a passarem por dentro de toda aquela sujeira espalhada pelas areias, caso queiram seguir a diante uma caminhada pela praia.
Quem sai de casa com destino a uma cidade onde nem os moradores são satisfeitos? Quem está disposto a se arriscar num mar infectado? Que pessoa em sã consciência indicaria um local para alguém passar pelo menos um fim de semana, onde a infraestrutura básica não funciona e a turística está longe de atender aos anseios e necessidades que um turista trás consigo?
A população excluída, a prefeitura negligente, a academia sem espaço para desenvolverem sua ciência e o trade olhando apenas para si. Será que isto responde o questionamento inicial?
(Publicado no Portal Informe-PE em 06/05/2011)
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